terça-feira, 17 de outubro de 2017

A arte: nosso direito de "ser" e evoluir

Temos enfrentado diversos episódios de cerceamento da liberdade expressão e acesso à cultura em nosso país. Triste realidade de uma sociedade que não sabe mais respeitar a liberdade do próximo. Presos em suas meias verdades internas, veem problemas onde não tem e julgam sem conhecimento de causa.

Estudei 4 anos de Educação Artística e trabalho há 19 anos com artes gráficas. Profissão completamente desvalorizada em nosso país pois, o ensino de arte sempre foi, e ainda é, muito limitado em nossas escolas. Crescemos com uma noção de arte que não é a ideal.

A arte, em toda sua diversidade (plástica, cinema, fotografia, escultura, pintura, gravura,...), é um componente fundamental na formação humana e crítica dos cidadãos. É pela arte que conhecemos o belo, a felicidade e, também, enxergamos nossas fragilidades e a do próximo. Quando renegamos qualquer tipo de arte, demonstramos o medo que temos de acessar nossos "arquivos" pessoais e evoluir, pois abdicar de vícios e pensamentos nocivos é muito mais doloroso do que se imagina.

É lógico que este texto não vai conseguir abordar toda a essência dessa problemática, mas eu precisava tanto desabafar comigo mesma e, talvez, tenha alguém do outro lado sofrendo tanto quanto eu.

Quando lutamos pela nossa liberdade de ser, de ver e evoluir, estamos lutando, também, pela liberdade do nosso próximo.

Quando proíbem uma exposição de arte, porque "acham" que não é arte, estão cerceando o meu direito de ver, de ser e evoluir. Ninguém quer obrigar ninguém a ver o que não quer. Só queremos ter a nossa liberdade de ver, se for de nossa vontade evoluir.

Quando lutamos pela legalização do aborto, também não estamos obrigando ninguém a abortar. Eu mesma jamais o faria, nem por isso posso ser contra a liberdade do meu próximo em ser responsável pelo seu próprio corpo e escolhas.

Quando lutamos pela legalização da maconha não estamos querendo dizer que vamos todos ter que usar a substância, mas que queremos que ela possa ser usada, inclusive de forma medicinal (uso com benefícios já comprovados pela ciência), mas principalmente que isso enfraqueça seu comércio ilegal, fragilizando o tráfico e reduzindo-se os lucros de criminosos que se aproveitam das doenças do corpo e da alma de pessoas que são dependentes químicas.

Não estamos obrigando ninguém a entrar numa galeria de arte queer, nem a levar os seus filhos para participar de uma expressão artística com homem nu. Eu só quero o meu direito de poder usufruir dessa arte e de levar meus filhos onde eu quiser, para eles eles também tenham o direito de "ser" e evoluir por meio da arte, pois é isso que arte nos proporciona.

Ninguém é obrigado a assistir a um programa de televisão se não quiser, basta desligar o aparelho mas, certamente, os mesmos indignados com as "exposições da revolta" do momento, estão ansiosos para o lançamento do novo filme da trilogia 50 tons de Cinza, o 50 tons de Liberdade, que será lançado em breve. E, sim, isso também é arte, e não é porque não me agrada que vou proibir alguém de vê-lo!

Eu só quero o direito de acessar qualquer arte que me ajude a ser melhor. É o meu direito de "ser" e evoluir.

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